domingo, 23 de outubro de 2011

Tu...

Como posso ser feliz se não te tenho ao pé de mim?
Tu que já não ouves as cassetes da banda lá da terra enquanto se preparava o Natal...
Tu que já não fazes as filhós e a jardineira...
Tu que já não me chamas "Locas" nem "tia"...
Tu que me compravas um gelado todos os fins de tarde ou me levavas à lota para ver a chegada dos pescadores...
Tu que gostavas de me ver dançar em cima da mesa e todas as quartas-feiras me trazias aqueles biscoitos em forma de 8...
Tu que não gostavas que eu piscasse o olho e me davas um copo de leite acabado de ordenar da cabrita...
Os meus natais eram felizes, mesmo sendo a única criança da família naquela altura. Cheirava a lareira e a fritos... a bacalhau cozido para o jantar.
Os dias de Natal eram dias de sol e mostravam-se na rua os presentes trazidos pelo Menino Jesus: uma camisola nova, umas botas, uns patins...
Lamento não te poder dar uma infância assim feliz, uns natais cheios como os que eu tive...
De veres o que eu vi, de viveres o que eu vivi, de aprenderes como eu aprendi, de teres como eu tive. Desculpa(-me)...

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