Como posso ser feliz se não te tenho ao pé de mim?
Tu que já não ouves as cassetes da banda lá da terra enquanto se preparava o Natal...
Tu que já não fazes as filhós e a jardineira...
Tu que já não me chamas "Locas" nem "tia"...
Tu que me compravas um gelado todos os fins de tarde ou me levavas à lota para ver a chegada dos pescadores...
Tu que gostavas de me ver dançar em cima da mesa e todas as quartas-feiras me trazias aqueles biscoitos em forma de 8...
Tu que não gostavas que eu piscasse o olho e me davas um copo de leite acabado de ordenar da cabrita...
Os meus natais eram felizes, mesmo sendo a única criança da família naquela altura. Cheirava a lareira e a fritos... a bacalhau cozido para o jantar.
Os dias de Natal eram dias de sol e mostravam-se na rua os presentes trazidos pelo Menino Jesus: uma camisola nova, umas botas, uns patins...
Lamento não te poder dar uma infância assim feliz, uns natais cheios como os que eu tive...
De veres o que eu vi, de viveres o que eu vivi, de aprenderes como eu aprendi, de teres como eu tive. Desculpa(-me)...
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