terça-feira, 25 de outubro de 2011

Onde anda a amizade (verdadeira)?


Se uma amiga vos dissesse que saiu de casa por causa de violência doméstica o que fariam? O que lhe diriam?

Será que o egoísmo é tanto que se fique "impávido e sereno" perante uma informação destas? Como é possível?!



Por vezes custa-me a crer que assim seja...
Estar "do outro lado" far-me-á ver as coisas de outra maneira?
Sinto a necessidade de ter outras reacções. O que eu (penso que) faria se fosse comigo.
Demonstrar indignação, no mínimo... Preocupação... Oferecer ajuda...
Será pedir muito?!?! em nome de uma amizade sincera, verdadeira...
Não percebo o que se passa. Se calhar o problema é meu e ainda não percebi. O meu conceito deve estar errado e estou a exigir de mais. Mais do que realmente tenho recebido... que é tão pouco...
E preciso tanto...
Fazer o caminho sozinha é muito difícil. Só palavras não chegam.
É preciso um ombro, um (a)braço e até mesmo um carinho... uma acção, uns passos...

domingo, 23 de outubro de 2011

Tu...

Como posso ser feliz se não te tenho ao pé de mim?
Tu que já não ouves as cassetes da banda lá da terra enquanto se preparava o Natal...
Tu que já não fazes as filhós e a jardineira...
Tu que já não me chamas "Locas" nem "tia"...
Tu que me compravas um gelado todos os fins de tarde ou me levavas à lota para ver a chegada dos pescadores...
Tu que gostavas de me ver dançar em cima da mesa e todas as quartas-feiras me trazias aqueles biscoitos em forma de 8...
Tu que não gostavas que eu piscasse o olho e me davas um copo de leite acabado de ordenar da cabrita...
Os meus natais eram felizes, mesmo sendo a única criança da família naquela altura. Cheirava a lareira e a fritos... a bacalhau cozido para o jantar.
Os dias de Natal eram dias de sol e mostravam-se na rua os presentes trazidos pelo Menino Jesus: uma camisola nova, umas botas, uns patins...
Lamento não te poder dar uma infância assim feliz, uns natais cheios como os que eu tive...
De veres o que eu vi, de viveres o que eu vivi, de aprenderes como eu aprendi, de teres como eu tive. Desculpa(-me)...

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

´"Estou cansada..."

O tempo passa e não traz nada de novo... nenhuma boa novidade. Ela está cansada. De estar longe da sua casa, das suas roupas, dos seus objectos pessoais, das suas lembranças. E nada de novo. Passa uma semana, outra... um mês atrás do outro e nada de novo.
 
 
 
 
  Atrás de uma decepção vem outra, atrás de um problema vêm mais dois ou três. E ela sente-se cansada, perdida, sozinha... com tudo às costas, sem ninguém para dar um passo por si.
O caminho custa cada vez mais a percorrer, cada vez demora mais tempo pois não a leva a nada de novo. Só o filho a espera e lhe dá forças para continuar a caminhar, a tentar mais uma e outra vez. Mas não há nada de novo... E passa mais uma semana, mais um mês. O Outuno trouxe o calor e ela agradece pois o frio trará mais situações desconfortáveis. Sente os amigos longe, tão longe. Palavras não lhe chegam para dar alento, são só palavras... Não lhe encurtam o caminho nem diminuem os passos. Ela está cansada de dizer uma e outra vez a mesma coisa e de ninguém a ouvir. O que são as palavras? Leva-as o vento...

E sente que ninguém a entende. Alguém se imaginou no seu lugar e percebeu o que realmente se passa? Do que lhe faz falta? Do que está a sentir, a sofrer?

"- Como estás?

- Estou viva mas...cansada."

domingo, 16 de outubro de 2011

Morreste-me...

Há cerca de 3 anos tudo começou a mudar na vida dela. Depois de perder o pai tudo começou a desmoronar-se... De um dia para o outro, quase sem saber porquê, o marido "abandonou-a"... quando ela mais precisava de um ombro para chorar, de apoio para continuar...
E deixaram de fazer vida em comum: de dormirem na mesma cama, de comerem à mesma mesa... E nada voltou a ser igual. Ao filho de ambos ele deixou de falar e a criança, na altura com 9 anos, ressentiu-se... muito. A ponto de a professora falar com a mãe para saber o que se tinha passado.
Tinha ficado tão feliz com o regresso do pai, depois de vários anos fora do país e apenas a vê-lo 3 a 4 semanas por ano.
Ela continuava a pôr a mesa para 3 pessoas. Uma vez, e outra e outra... Até que desistiu. Sem saber porquê...
Continuava à espera dele... que passava uma, duas, três, muitas noites fora de casa...
Ele, habituado a não dar satisfações de qualquer natureza pelo facto de ter estado fora do país tanto tempo, assim continuou, fazendo uma vida completamente à parte. Sem respeito pelo sentimento que os uniu...
Mais tarde, ela veio a saber pela advogada que ele disse ter casado "por amor". Ela pensou o que adiantava saber disso agora se esse amor já não se manifestava, já não era respeitado...
Ela também casou por amor. Não o teria feito se não o sentisse.
E foi um dia tão feliz! Sem estar nervosa, como é comum a todas as noivas, sabia bem o que queria e o que estava a fazer. Controlou bem o facto de ser o centro das atenções naquele dia, entre famíla de perto e de longe, entre os amigos... e nem a situação de atraso do padre que iria celebrar a cerimónia a perturbou.
É triste, depois de tantos anos, passar um fim-de-semanda doente e não ter quem se preocupe em perguntar se precisa de um copo de água.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Como disse uma amiga minha...



... há que viver minuto a minuto.
Hoje em dia não podemos fazer grandes planos. De um dia para o outro tudo se altera...
Não temos tudo nas nossas mãos, não podemos controlar tudo...
Pessoalmente, há muito que me mentalizei disso. Nada posso planear a longo prazo que me sai "tudo furado".
Por isso há que viver dia a dia, minuto a minuto...