segunda-feira, 28 de maio de 2012

Hoje...

... lembrei-me da quinta no Crestelo. Pedaço de terra cultivada pelo meu avô materno, pelo meu pai e pelo meu padrinho, nas horas vagas de todos e de onde saiam legumes, frutas e até alguns animais para sustento da família.
Recordo a cerejeira onde o meu avô me fizera um baloiço e onde eu passava horas a brincar e era feliz! Atrás do barraco de madeira... onde se guardavam os ferramentas de trabalho, onde havia tarimbas de madeira para as batatas e que, na falta destas, serviam de camas para se dormir a sesta.
Cá fora, num banco corrido, comia-se a "buxa", nos dias de sol. Se chovia, a mesma partilhava-se sobre o telhado de folhas de zinco, sentados nos sacos de sementes, nos toros de madeira ou até mesmo no chão.
Ao lado, o galinheiro, onde eu, às vezes, me arriscava a entrar para recolher alguns ovos com que "as pitas" nos presenteavam.
Recordo, em especial, um dia de vindimas em que choveu bastante... a família juntou-se para recolher os frutos dourados pelo sol dos quais resultariam um pouco de vinho, de jeropiga, de aguardente... de que o meu avô tanto gostava!
Como eu gostava de ajudar a semear as batatas, colocando a "sementinha" no rego aberto pela enxada guiada pelos braços do meu pai... de apanhar uma cenoura directamente da terra, de a lavar no rego de água corrente e comê-la ali, com casca e tudo (pois fazia os olhos bonitos...); de deitar o milho às galinhas ou de acompanhar o cão nas suas corridas, sempre preso ao arame e que guardava a quinta quando nós voltávamos para casa (não muito longe dali), pelo caminho de terra batida...