Quando
há 12 meses recebi a “confirmação”, não me conseguia imaginar aqui e agora.
O meu chão fugiu e o meu mundo desabou.
Pensei que, afinal, não acontecia só aos outros... Era eu, era comigo...
Não iria conseguir dizer aquela frase na 1.ª pessoa do singular:
“Eu tenho um carcinoma.”
E como dar a notícia a quem se ama?
Dizem que “a dor partilhada é metade da tristeza”... Seria?
Mas também para o fazer tinha que arranjar forças...
Quando um diagnóstico destes aparece nas nossas vidas, a vida como a vivemos, é interrompida. Ficamos "suspensos" até estarmos prontos para lidar com as mudanças que esta doença nos traz. E passa a haver um "antes" e um "depois"...
E aqui estou eu com 46 anos em que poucas atribulações passei no que à saúde diz respeito (tirando 7 pontos num pé após um acidente de carro e duas operações ao braço esquerdo que me deram quase 6 meses de férias...) a receber este "presente".
Eu que nunca fui de excessos: tabaco, bebida e outros... Que me considerava saudável, que achava que me alimentava relativamente "bem"...
E tens mesmo que te perguntar: "Porquê eu???"
E, quase sem aviso, começou...
Exames (alguns dolorosos, sim), agulhas, anestesias...
E os tratamentos... 7 ao todo. Por 5 meses.
E vamos mudando. E temos que aprender a aceitar essas mudanças.
Há sensações novas que nunca pensámos sentir e surgem forças não sei de onde para fazer o que nunca se tinha imaginado.
Cortar o cabelo, rapar a cabeça (fiz tudo sozinha, sim... e não me perguntem como consegui - eu própria não sei...), dormir de gorro de lã e usar o "novo penteado" de pano. Por cerca de 8 meses.
E tanto te arrepias de frio como de repente estás cheia de calor. O cansaço não te deixa dormir... não há posição para nada.
Mas arranjas forças para continuar. Continuar a caminhar com esta "nova eu". Às vezes sem forças mas fazendo tudo para não desanimar.
Nada voltará a ser como antes. Vivemos um dia de cada vez...
E em cada momento em que ainda aqui estamos, vemos pequenos pedaços de felicidade.
O meu chão fugiu e o meu mundo desabou.
Pensei que, afinal, não acontecia só aos outros... Era eu, era comigo...
Não iria conseguir dizer aquela frase na 1.ª pessoa do singular:
“Eu tenho um carcinoma.”
E como dar a notícia a quem se ama?
Dizem que “a dor partilhada é metade da tristeza”... Seria?
Mas também para o fazer tinha que arranjar forças...
Quando um diagnóstico destes aparece nas nossas vidas, a vida como a vivemos, é interrompida. Ficamos "suspensos" até estarmos prontos para lidar com as mudanças que esta doença nos traz. E passa a haver um "antes" e um "depois"...
E aqui estou eu com 46 anos em que poucas atribulações passei no que à saúde diz respeito (tirando 7 pontos num pé após um acidente de carro e duas operações ao braço esquerdo que me deram quase 6 meses de férias...) a receber este "presente".
Eu que nunca fui de excessos: tabaco, bebida e outros... Que me considerava saudável, que achava que me alimentava relativamente "bem"...
E tens mesmo que te perguntar: "Porquê eu???"
E, quase sem aviso, começou...
Exames (alguns dolorosos, sim), agulhas, anestesias...
E os tratamentos... 7 ao todo. Por 5 meses.
E vamos mudando. E temos que aprender a aceitar essas mudanças.
Há sensações novas que nunca pensámos sentir e surgem forças não sei de onde para fazer o que nunca se tinha imaginado.
Cortar o cabelo, rapar a cabeça (fiz tudo sozinha, sim... e não me perguntem como consegui - eu própria não sei...), dormir de gorro de lã e usar o "novo penteado" de pano. Por cerca de 8 meses.
E tanto te arrepias de frio como de repente estás cheia de calor. O cansaço não te deixa dormir... não há posição para nada.
Mas arranjas forças para continuar. Continuar a caminhar com esta "nova eu". Às vezes sem forças mas fazendo tudo para não desanimar.
Nada voltará a ser como antes. Vivemos um dia de cada vez...
E em cada momento em que ainda aqui estamos, vemos pequenos pedaços de felicidade.
